segunda-feira, 11 de abril de 2011
Fairy Dust
Venham correr, saltar as estrelas, venham partir a sorrir... Não deixem o frasco evaporar, vamos aumentar e abarrotar o frasco, sinto-vos lá dentro!
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Encontrei este por Marrocos :)
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Amor de tarde
Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cuatro
y acabo la planilla y pienso diez minutos
y estiro las piernas como todas las tardes
y hago así con los hombros para aflojar la espalda
y me doblo los dedos y les saco mentiras.
Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cinco
y soy una manija que calcula intereses
o dos manos que saltan sobre cuarenta teclas
o un oído que escucha como ladra el teléfono
o un tipo que hace números y les saca verdades.
Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las seis.
Podrías acercarte de sorpresa
y decirme "¿Qué tal?" y quedaríamos
yo con la mancha roja de tus labios
tú con el tizne azul de mi carbónico.
cuando miro el reloj y son las cuatro
y acabo la planilla y pienso diez minutos
y estiro las piernas como todas las tardes
y hago así con los hombros para aflojar la espalda
y me doblo los dedos y les saco mentiras.
Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cinco
y soy una manija que calcula intereses
o dos manos que saltan sobre cuarenta teclas
o un oído que escucha como ladra el teléfono
o un tipo que hace números y les saca verdades.
Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las seis.
Podrías acercarte de sorpresa
y decirme "¿Qué tal?" y quedaríamos
yo con la mancha roja de tus labios
tú con el tizne azul de mi carbónico.
Mario Benedetti
quinta-feira, 22 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
de MAGIA
Eu antigamente era muito nervoso. Eis-me num novo caminho.
Meto a maçã em cima da mesa. Depois meto-me dentro dessa maçã. Que tranquilidade!
Parece simples. No entanto, há já vinte anos que o tentava e não o teria conseguido, em querendo começar por aí. Porquê? Julgar-me-ia talvez humilhado, dado o seu pequeno tamanho e a sua vida opaca e lenta. É possível. Os pensamentos da camada inferior são raramento belos.
Por isso, comecei de outro modo e uni-me ao Escaut.
O Escaut, em Anvers, onde o encontrei, é grande e imponente e gera uma grande corrente. Apanha os navios de alto bordo que se apresentam. É um rio, dos verdadeiros.
Decidi tornar-me um com ele. Permanecia no cais todas as horas do dia. Mas dispersava-me em várias considerações inúteis.
E além disso, sem querer, olhava para as mulheres de tempos a tempos, e isso é coisa que um rio não permite, nem uma maçã, nem nada na natureza.
O Escaut, portanto, e mil sensações. Que fazer? De repente, tendo renunciado a tudo, achei-me... não diria no seu lugar, porque , para falar verdade, nunca se tratou disso. Ele corre incessantemente (aí está uma grande dificuldade) e desliza para a Holanda onde encontrará o mar à altitude zero.
Regresso à maçã. Aí, mais uma vez, houve tentativas, experiências; é uma longa história. Partir não é muito cómodo, e explicá-lo muito menos.
Mas posso dizer-vos numa palavra. Sofrer é a palavra.
Quando cheguei à maçã, estava gelado.
Meto a maçã em cima da mesa. Depois meto-me dentro dessa maçã. Que tranquilidade!
Parece simples. No entanto, há já vinte anos que o tentava e não o teria conseguido, em querendo começar por aí. Porquê? Julgar-me-ia talvez humilhado, dado o seu pequeno tamanho e a sua vida opaca e lenta. É possível. Os pensamentos da camada inferior são raramento belos.
Por isso, comecei de outro modo e uni-me ao Escaut.
O Escaut, em Anvers, onde o encontrei, é grande e imponente e gera uma grande corrente. Apanha os navios de alto bordo que se apresentam. É um rio, dos verdadeiros.
Decidi tornar-me um com ele. Permanecia no cais todas as horas do dia. Mas dispersava-me em várias considerações inúteis.
E além disso, sem querer, olhava para as mulheres de tempos a tempos, e isso é coisa que um rio não permite, nem uma maçã, nem nada na natureza.
O Escaut, portanto, e mil sensações. Que fazer? De repente, tendo renunciado a tudo, achei-me... não diria no seu lugar, porque , para falar verdade, nunca se tratou disso. Ele corre incessantemente (aí está uma grande dificuldade) e desliza para a Holanda onde encontrará o mar à altitude zero.
Regresso à maçã. Aí, mais uma vez, houve tentativas, experiências; é uma longa história. Partir não é muito cómodo, e explicá-lo muito menos.
Mas posso dizer-vos numa palavra. Sofrer é a palavra.
Quando cheguei à maçã, estava gelado.
Henri Michaux
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Cada coisa em seu lugar
A cara lavada
com água e sabão
camisa rasgada
agulha e botão.
Berlindes no bolso
o lápis na mão
cadernos na mala
manteiga no pão.
O sol no olhar
as pulgas no cão
gaivotas no mar
formigas no chão.
A mãe à janela
o pai ao portão
no peito a bater
o meu coração.
No peito a bater
o meu coração
no peito a bater
o meu coração.
Plim! Plão!
com água e sabão
camisa rasgada
agulha e botão.
Berlindes no bolso
o lápis na mão
cadernos na mala
manteiga no pão.
O sol no olhar
as pulgas no cão
gaivotas no mar
formigas no chão.
A mãe à janela
o pai ao portão
no peito a bater
o meu coração.
No peito a bater
o meu coração
no peito a bater
o meu coração.
Plim! Plão!
José Fanha, 2004
Cantigas e Cantigos
segunda-feira, 3 de maio de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
IIII
Tenho pelos meus poemas
a ternura que a coruja tinha pelos filhos
mas não tenho a sua cegueira
porque sei que Diderot acha os meus poemas maus
a coruja disse à águia
podes comer os passarinhos que quiseres
mas não comas os meus filhos
os meus filhos são os passarinhos mais bonitos
que encontrares na floresta
a águia comeu os meus filhos da coruja
comi os teus filhos porque eram feios
disse a águia à coruja
as comparações são muito perigosas
(como diamantes)
certas comparações valem fortunas
não vejo o que possa ser comer poemas
talvez fazer contas ou hieróglifos obscenos
nos papéis onde estão os meus poemas
não vejo quem possa ser a águia
Diderot não é a águia
mas uma pessoa neste momento
pode estar a fazer contas e hieróglifos obscenos
nos filhos de uma coruja
talvez Walt Disney visse
a ternura que a coruja tinha pelos filhos
mas não tenho a sua cegueira
porque sei que Diderot acha os meus poemas maus
a coruja disse à águia
podes comer os passarinhos que quiseres
mas não comas os meus filhos
os meus filhos são os passarinhos mais bonitos
que encontrares na floresta
a águia comeu os meus filhos da coruja
comi os teus filhos porque eram feios
disse a águia à coruja
as comparações são muito perigosas
(como diamantes)
certas comparações valem fortunas
não vejo o que possa ser comer poemas
talvez fazer contas ou hieróglifos obscenos
nos papéis onde estão os meus poemas
não vejo quem possa ser a águia
Diderot não é a águia
mas uma pessoa neste momento
pode estar a fazer contas e hieróglifos obscenos
nos filhos de uma coruja
talvez Walt Disney visse
Adília Lopes 29.XII.1985
O Poeta de Pondichéry
terça-feira, 6 de abril de 2010
Para um adversário à altura
Bate! - se é verdadeira
a causa por que lutas,
embora em pedaços
me derrubes
do meu lugar.
Há um milagre! - esse
que me refaz inteiro.
E me levanta.
a causa por que lutas,
embora em pedaços
me derrubes
do meu lugar.
Há um milagre! - esse
que me refaz inteiro.
E me levanta.
Gyula Illyés (1902/1983)
domingo, 21 de março de 2010
falta por aqui uma grande razão
uma razão que não seja só uma palavra
ou um coração
ou um meneio de cabeças após o regozijo
ou um risco na mão
ou um cão
ou um braço para a história
da imaginação
-
podemos pois está claro
transferir-nos
imaginar durante um quarto de hora
os séculos que virão
- os séculos um
e dois
da colonização -
depois
depois é este cair na madrugada ardente
na madrugada de constantemente
sem sol
e sem arpão
-
faltas tu faltas tu
falta que te completem
ou destruam
não da maneira rilkeana vigilante mortal solícita e obrigada
- não, de nenhuma maneira resultante!
nem mesmo o amor
não é o amor que falta
-
falta uma grande realmente razão
apenas entrevista durante as negociações
oclusa na operação do fuzilamento cantante
rodoviária na chama dos esforços hercúleos
morta no corpo a corpo do ismo contra ismo
-
falta uma flor
mas antes de arrancada
falta, ó Lautréamont, não só que todo o figo como o seu burro
mas que todos os burros se comam a si mesmos
que todos os amores palavras propensões sistemas de palavras e de propensões
se comam a si mesmos
muitas horas por dia até de manhã cedo
até que só reste o a o b e o c das coisas
para o espanto dos parvos
que aliás não estão a mais
isso eu o espero
e o faço
junto à imagem da
criança morta
depois que Pablo Picasso devorou o seu figo
sobre o cadáver dela
e longas filas de bandeiras esperam
devorar Picasso
que é perto da criança, ao lado da boca minha
uma razão que não seja só uma palavra
ou um coração
ou um meneio de cabeças após o regozijo
ou um risco na mão
ou um cão
ou um braço para a história
da imaginação
-
podemos pois está claro
transferir-nos
imaginar durante um quarto de hora
os séculos que virão
- os séculos um
e dois
da colonização -
depois
depois é este cair na madrugada ardente
na madrugada de constantemente
sem sol
e sem arpão
-
faltas tu faltas tu
falta que te completem
ou destruam
não da maneira rilkeana vigilante mortal solícita e obrigada
- não, de nenhuma maneira resultante!
nem mesmo o amor
não é o amor que falta
-
falta uma grande realmente razão
apenas entrevista durante as negociações
oclusa na operação do fuzilamento cantante
rodoviária na chama dos esforços hercúleos
morta no corpo a corpo do ismo contra ismo
-
falta uma flor
mas antes de arrancada
falta, ó Lautréamont, não só que todo o figo como o seu burro
mas que todos os burros se comam a si mesmos
que todos os amores palavras propensões sistemas de palavras e de propensões
se comam a si mesmos
muitas horas por dia até de manhã cedo
até que só reste o a o b e o c das coisas
para o espanto dos parvos
que aliás não estão a mais
isso eu o espero
e o faço
junto à imagem da
criança morta
depois que Pablo Picasso devorou o seu figo
sobre o cadáver dela
e longas filas de bandeiras esperam
devorar Picasso
que é perto da criança, ao lado da boca minha
Mário Cesariny
´
um carinho profundo no Dia da Poesia
quarta-feira, 10 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Há toda a humanidade com quem falar
Também existe tu.
Não tenho medo de ser mal entendido.
Quando falo porque devo, a paisagem
transborda de figuras que querem ouvir.
Unidos pela nossa ignorância lutamos, e as palavras
materializam-se, começam a ter importância.
Será isto surpreendente, invulgar?
De todo. A língua é o nosso dom evidente: O Verbo,
tornado carne, é procurado de novo.
Fazemo-lo enquanto fazemos as nossas vidas.
Também existes tu,
que falas para ti próprio
e que tens de ser ouvido.
Também existe tu.
Não tenho medo de ser mal entendido.
Quando falo porque devo, a paisagem
transborda de figuras que querem ouvir.
Unidos pela nossa ignorância lutamos, e as palavras
materializam-se, começam a ter importância.
Será isto surpreendente, invulgar?
De todo. A língua é o nosso dom evidente: O Verbo,
tornado carne, é procurado de novo.
Fazemo-lo enquanto fazemos as nossas vidas.
Também existes tu,
que falas para ti próprio
e que tens de ser ouvido.
Nissim Ezekiel
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Amor sem tréguas
É necessário amar,
qualquer coisa, ou alguém;
o que interessa é gostar
não importa de quem.
Não importa de quem,
nem importa de quê,
o que interessa é amar
mesmo o que não se vê.
Pode ser uma mulher,
uma pedra, uma flor,
uma coisa qualquer,
seja lá do que for.
Pode até nem ser nada
que em ser se concretize,
coisa apenas pensada,
que a sonhar se precise.
Amar por claridade,
sem dever a cumprir;
uma oportunidade
para olhar e sorrir.
Amar como o homem forte
só ele o sabe e pode-o;
amar até à morte,
amar até ao ódio.
Que o ódio, infelizmente,
quando o clima é de horror,
é forma inteligente
de se morrer de amor.
qualquer coisa, ou alguém;
o que interessa é gostar
não importa de quem.
Não importa de quem,
nem importa de quê,
o que interessa é amar
mesmo o que não se vê.
Pode ser uma mulher,
uma pedra, uma flor,
uma coisa qualquer,
seja lá do que for.
Pode até nem ser nada
que em ser se concretize,
coisa apenas pensada,
que a sonhar se precise.
Amar por claridade,
sem dever a cumprir;
uma oportunidade
para olhar e sorrir.
Amar como o homem forte
só ele o sabe e pode-o;
amar até à morte,
amar até ao ódio.
Que o ódio, infelizmente,
quando o clima é de horror,
é forma inteligente
de se morrer de amor.
António Gedeão, 1961
Obra Poética
(resposta)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Quando o amor morrer dentro de ti,
Caminha para o alto onde haja espaço,
E com o silêncio outrora pressentido
Molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
E neles ateia o fogo adormecido
Que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
Espalhou generoso ao quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
E o nocturno calor que se debruça
Sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
Que mil saudosas lágrimas velaram;
Desfralda na tua alma o inventário
Do tempo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram.
Caminha para o alto onde haja espaço,
E com o silêncio outrora pressentido
Molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
E neles ateia o fogo adormecido
Que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
Espalhou generoso ao quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
E o nocturno calor que se debruça
Sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
Que mil saudosas lágrimas velaram;
Desfralda na tua alma o inventário
Do tempo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram.
Ruy Cinatti
(1915-1986)
Digam-me que o amor não morreu...
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