Um dia pediste-me fogo e eu dei-te calor...
Era noite, o comboio ouvia-se lá longe. Corriam pelos campos todos os que não queriam saber.
Os outros...ficaram abraçados, com medo de cair. Contaram que viram estrelas carregadas de desejo mas a mentira veio com a luz, chegou com o sol e fugiu, logo depois de passarem as nuvens.
Nesse dia, sentiste febre e eu dei-te o meu amor.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
O lago

A memória do rumor de beijos rasgados na sombra da noite cobre este lago de melancolia. Às vezes escondo-me atrás das árvores para espreitar os Humanos que cortam caminho por esta dimensão delicada de suspiros. Tento ouvir o que sussurram as suas vozes e fico admirada como têm sempre tanto que dizer uns aos outros. Perco-me no meio de tantas palavras com tão pouco significado.
Tu não me prendeste com palavras, fizeste os meus olhos brilhar com os teus gestos. Mostraste-me caminhos que desconhecia, mergulhaste comigo nas águas transparentes deste lago pensativo. Desfizeste o emaranhado dos meus cabelos com uma ternura sem fim. Se fosse preciso, separavas cada fio um por um.
O tempo aqui não existe e percebeste isso com uma sabedoria invulgar. Embrulhaste-me nos teus braços e eu fui cega ao compasso do teu coração. Não percebi que só querias desvendar o mistério da magia
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Inauguração
Tralhas & Coisas é um site de objectos que tenho por cá para venda...comecei por chávenas, mas talvez chegue aos livros. :)Se conhecerem interessados, recomendem...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Gestos em tons de magia
A noite repousava na floresta, onde rumores tardios arrepiavam memórias do Outono dourado nos sonhos de uma fada encantada. Os longos cabelos ruivos reflectiam fios de luar que desciam pela janela e entravam no coração fechado ao contacto com os humanos.
Durante o dia vibrava com os sons do vento e da água e levava luz até aos recantos mais obscuros da floresta, iluminando de esperança os seres que a habitavam. Assim que a noite caía, a fada que antes ajudava os humanos que se perdiam por aquelas estranhas paragens, agora dormia num leito de folhas de álamos que sustentava os seus sonhos ardentes.
Durante o dia vibrava com os sons do vento e da água e levava luz até aos recantos mais obscuros da floresta, iluminando de esperança os seres que a habitavam. Assim que a noite caía, a fada que antes ajudava os humanos que se perdiam por aquelas estranhas paragens, agora dormia num leito de folhas de álamos que sustentava os seus sonhos ardentes.
No meio dos tons amarelados da Natureza boreal, extinguia-se a espuma do vinho que inundava duas bocas sedentas da vibração da pele. Cada um sentia o peso do desejo a abafar as palavras que surgiam em melodias coloridas de gestos que procuravam um no outro o tempo da eternidade sensual. A mão do Ser afastava com suavidade os fios de cabelo de fogo que cobriam o pescoço da fada, deslizando entre o contorno dos lábios e dos olhos iluminados. O corpo da fada acolhia todas as carícias com a magia própria de quem confia na dança dos humanos para revelar a arte ondulante do corpo.
Na hora de partir, o adeus do Humano, não deixou promessas de recomeços mágicos, apenas uma imensidão de silêncio que rasgou um poço de vazios na dimensão terrena da fada. Nunca mais foi capaz de iluminar os caminhos nocturnos com os seus olhos luzentes.
21 de Dezembro
Como sabes, hoje é dia de solstício, a noite mais longa do ano que poderia ser só nossa, a luz da pureza venceria a escuridão da maldade, a escolha da verdade que não fizeste. Queria morrer em ti, mas não deixaste.
23. Dez.2007
Na hora de partir, o adeus do Humano, não deixou promessas de recomeços mágicos, apenas uma imensidão de silêncio que rasgou um poço de vazios na dimensão terrena da fada. Nunca mais foi capaz de iluminar os caminhos nocturnos com os seus olhos luzentes.
21 de Dezembro
Como sabes, hoje é dia de solstício, a noite mais longa do ano que poderia ser só nossa, a luz da pureza venceria a escuridão da maldade, a escolha da verdade que não fizeste. Queria morrer em ti, mas não deixaste.
23. Dez.2007
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Foi no respiro da pena quando sossegou.
Em ombros e encosto de cabeça sonolenta, com cabelos caídos em força.
Voo caprichoso que se ausentara em memórias do impossível. E o golpe fremente que insistia em voltar ao início da roda.
E como se uma inércia irresistível a seguisse de antemão, o inesperado acontece!
Após confissões repetidas quebra num instante anos de caminho. Volta à sua infância doida, livre, de corpo esdrúxulo sem reflexos na superfície.
Não desliza nem circula, golpe após golpe, de cima para baixo, debaixo para cima, demora o tempo do infinito. Que é o seu tempo sentido.
A pena sossegou. O peso é suportável.
Domínio sem ânsia. O tempo é percorrido.
E escuta... tal como bolas estendidas, espalhadas em espaços multidimensionais. Apercebe-se do voo, como seu. Só seu...
Em ombros e encosto de cabeça sonolenta, com cabelos caídos em força.
Voo caprichoso que se ausentara em memórias do impossível. E o golpe fremente que insistia em voltar ao início da roda.
E como se uma inércia irresistível a seguisse de antemão, o inesperado acontece!
Após confissões repetidas quebra num instante anos de caminho. Volta à sua infância doida, livre, de corpo esdrúxulo sem reflexos na superfície.
Não desliza nem circula, golpe após golpe, de cima para baixo, debaixo para cima, demora o tempo do infinito. Que é o seu tempo sentido.
A pena sossegou. O peso é suportável.
Domínio sem ânsia. O tempo é percorrido.
E escuta... tal como bolas estendidas, espalhadas em espaços multidimensionais. Apercebe-se do voo, como seu. Só seu...
Maria Batista
22.11.08/02.04.09
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Prémio Leya 2009
Valerá a pena o desafio.
Regulamento:
http://www.leya.com
REGULAMENTO PRÉMIO LEYA 2009
Artigo 1
(Objecto)
O Prémio Leya tem por objectivo incentivar a produção de obras originais de escritores de língua portuguesa, e destina-se a galardoar uma obra inédita de ficção literária, na área do romance, e que não tenha sido premiada em nenhum outro concurso.
Artigo 2
(Apresentação de candidaturas)
Podem candidatar-se ao Prémio Leya todas as pessoas singulares com plena capacidade jurídica.
Artigo 3
(Valor do Prémio)
O valor monetário do Prémio é de 100 000 euros (cem mil euros).
Artigo 4
(Local e Prazo de entrega)
— As obras concorrentes deveram ser enviadas para:
Prémio Leya 2009,
Rua Cidade de Córdova, n.º 2
2610-038 Alfragide
Portugal
— Serão admitidas a concurso todas as obras entregues na morada acima indicada ou enviadas pelo correio até ao dia 15 de Junho de 2009.
— Para efeitos de prazo de entrega considera-se a data de expedição dos Correios
Artigo 5
(...)
Regulamento:
http://www.leya.com
REGULAMENTO PRÉMIO LEYA 2009
Artigo 1
(Objecto)
O Prémio Leya tem por objectivo incentivar a produção de obras originais de escritores de língua portuguesa, e destina-se a galardoar uma obra inédita de ficção literária, na área do romance, e que não tenha sido premiada em nenhum outro concurso.
Artigo 2
(Apresentação de candidaturas)
Podem candidatar-se ao Prémio Leya todas as pessoas singulares com plena capacidade jurídica.
Artigo 3
(Valor do Prémio)
O valor monetário do Prémio é de 100 000 euros (cem mil euros).
Artigo 4
(Local e Prazo de entrega)
— As obras concorrentes deveram ser enviadas para:
Prémio Leya 2009,
Rua Cidade de Córdova, n.º 2
2610-038 Alfragide
Portugal
— Serão admitidas a concurso todas as obras entregues na morada acima indicada ou enviadas pelo correio até ao dia 15 de Junho de 2009.
— Para efeitos de prazo de entrega considera-se a data de expedição dos Correios
Artigo 5
(...)
segunda-feira, 30 de março de 2009
Semear
Preferes que descreva
a simplicidade das flores
a simbologia das cores
a penumbra dos odores
que não respiro
enquanto não fores
eu
retiro o que não disse
ou volto aos dissabores
até me propores
o que suspiro
e para ti me retiro
e semeio-te os ardores
nos meus dedos sonhadores
que se entrelaçam
e se embaraçam
nos fulgores dum
poema sem tema
sem solução
entre pontos de interrogação
que silenciam a solidão
ou a confusão da própria escrita
que não é dita
mas acredita
que se preferires
que não descreva
a simplicidade das flores
ou a simbologia das cores
e todo o pensamento derivante
eu calo-me
num instante
sábado, 28 de março de 2009
O burro
Eu que sou o burro
não sou tão burro assim,
- não sou só eu que zurro,
esse zombarem de mim
é um murro
que não tem fim.
não sou tão burro assim,
- não sou só eu que zurro,
esse zombarem de mim
é um murro
que não tem fim.
Se derem murros
em todos os burros,
talvez eu, coitado,
seja por muita gente
considerado inteligente
Carrego sacola,
carrego, carrego,
e nunca fui à escola
- não nego.
Mas burro universitário
é contrário à Natureza.
Eu sou um burro primário,
sou um burro
simplesmente,
que zurro,
não sei ler
nem sei escrever,
mas, felizmente,
sou burro.
Sidónio Muralha
O rouxinol e a sua namorada, 1983
quinta-feira, 26 de março de 2009
Burras na horta de cabeça enfiada na terra
Bom dia, bom dia =)
(mais uma vez utilizo este meio para deixar umas palavras.. =p)
Primeiro..ISTO ESTÁ MUITO PARADO!!! até para mim q não sou muito ligada a estas máquinas.. =) toca a escrever...
Depois... sexta, 27 de Março, vem à biblioteca de Valongo e escritor Helder Pacheco, 21:30 a hora!
Sobre um outra coisa..eheh Prémio Nacional de Teatro Bernardo Santareno... hein? quem está cheia de coragem? =)
E para se deliciarem neste dia... aqui vai... a companhia de Mário Cesariny
"queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma"
terça-feira, 10 de março de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Minha culpa

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém
Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...
Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...
Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém
Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...
Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...
Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...
Florbela Espanca
domingo, 1 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
poema
Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como os amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca
Mário Cesariny
Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como os amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca
Mário Cesariny
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Instantes

Numa floresta encantada,
dentro da Lua gelada,
havia um Peixe azul
que rumou a sul
pelo rio amarelo
em cima dum cogumelo.
Deslizou num dia cinzento
à procura de alimento.
Encontrou um morango preto
que dormia num panfleto!
O peixe ficou branco
e deu um solavanco.
Sentiu-se vermelho
e olhou-se no espelho.
Afinal era violeta
e não era Peixe, mas Borboleta
num sonho colorido,
azul incompreendido.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
O chá da quinta à tarde...
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Um bocadinho de história recente, agora que 2008 está a terminar
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Quando a lua toda brilha (clicar no link pode ser interessante)

És luminosa, prateada e misteriosa
És uma dona admirada e venerada
Pois se és influente e poderosa…
Se troveja quando és nova, trinta dias és molhada
Mas do que mais gosto é do teu cuidado pelos amantes.
Será por isso que me comparam a ti?
Eu sei que não sou sol
Não sou estrela
Serei lua? Cheia e luminosa?
Sou cheia de amor e toda quero brilhar quando contemplar
Sou luz suave, também eu não firo olhares
Às vezes parece que se esquecem de mim
Não sabem que mantenho a constância na inconstância das fases.
Mas cheia de amor toda quero brilhar!
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
O comboio da outra semana...
O comboio amarelo está quase vazio. O silêncio que revela o sono dos outros, no som que se repete, vezes sem conta no meu ouvido. Uma mistura de sensações na barriga, soluços guardados, quase tão quentes como os meus livros pesados.
O tempo é de piscinas vazias, casas antigas, neve nos campos.
Tenho frio do café quente, que tarda a chegar!! Arrepia-me ver-te partir em contentores para locais incertos, tenho medo de não te saber encontrar, ficar perdida. Faltas-me o ar no meio deste nevoeiro relvado, espreito-te por entre as árvores secas de um Outono vencido e vejo-te ao longe...
Resta-me esperar o arco-íris daquela tarde, a lua cheia da outra noite e o sol de muitas manhãs para te abraçar.
O tempo é de piscinas vazias, casas antigas, neve nos campos.
Tenho frio do café quente, que tarda a chegar!! Arrepia-me ver-te partir em contentores para locais incertos, tenho medo de não te saber encontrar, ficar perdida. Faltas-me o ar no meio deste nevoeiro relvado, espreito-te por entre as árvores secas de um Outono vencido e vejo-te ao longe...
Resta-me esperar o arco-íris daquela tarde, a lua cheia da outra noite e o sol de muitas manhãs para te abraçar.
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